quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Sem políticas do governo federal, crise do leite se aprofunda

Santos Águia     janeiro 31, 2018    

Foto: Divulgação
Os pequenos produtores e cooperativas de leite do Paraná e do interior do país continuam acumulando prejuízos com a crise leiteira, que persiste desde o início de 2017. O preço da produção tem operado em queda, comprometendo o comércio e a economia nas regiões produtoras. Para os produtores paranaenses, a crise no setor é a soma do favorecimento do governo pela importação de leite em lugar da exportação, além da falta de orçamento para os programas de compras do governo federal.

No Sudoeste do Paraná, em 2016, o preço do litro de leite variava entre R$ 2,00 e R$ 1,60, com preços menores para os produtores familiares e as pequenas cooperativas. Já no segundo semestre de 2017, o preço caiu para R$ 1,15, e chegou até R$ 0,70 por litro.

Uma das soluções propostas pelos produtores seria o fim das importações e a compra voltada para o mercado interno, o aumento da verba para a compra do leite estocado, o crédito para as cooperativas e renegociar a dívida dos agricultores.

O deputado federal Zeca Dirceu alertou que um dos grandes responsáveis pela redução do preço tem sido a falta de compromisso do governo na regulação do mercado do leite. “O governo tem dado preferência à importação do leite de países como Argentina e Uruguai, em detrimento da aquisição da produção interna. Sem falar no desmonte promovido nas políticas públicas, voltadas para a compra da produção nacional. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) estão quase sendo extintos pelo governo. E isso afeta diretamente a agricultura familiar, que antes tinha o escoamento de sua produção garantido e, agora, sofre com a competição com os países vizinhos e com os cortes em ações estratégicas para o setor produtivo”, explicou.

A proposta mínima do governo para o orçamento do PAA para 2018 foi de apenas R$ 750 mil, a oposição conseguiu recuperar esse valor, garantindo mais de R$ 300 milhões – muito abaixo do orçamento de R$ 839 milhões, em 2012, quando o programa alcançou seu maior valor. “Os produtores dependem dessa atividade para sobreviver e a economia rural perde em renda e emprego sem ações concretas. O governo precisa agir e proteger o mercado interno reduzindo as importações do leite. Conseguimos assegurar um orçamento bem maior ao PAA do que foi proposto. E, na próxima semana, o tema volta à pauta do núcleo agrário do PT, para analisar qual melhor forma de pressionar o governo para voltar a fortalecer os programas de compras institucionais para o nosso leite e favorecer o mercado interno”, reforçou a parlamentar.

Em 2017, o deputado já havia se reunido no Ministério da Agricultura, junto com representantes de produtores leiteiros, mas o governo pouco avançou na pauta de reivindicações.


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